Não
preciso migalhar atenção quando invisto na minha vida, me trato como
devo ser tratada e não me submeto ao que não me nutre. Eu me comprometo
comigo diariamente, e esta é a relação mais especial que eu poderia
construir. O que não recebo do Outro, porque ele não pode me dar ou
porque não quer, é natural e compreensível. Cada um precisa crescer para
si mesmo e eu escolho estar inteira com pessoas
inteiras. Não preciso migalhar o que faço próspero em mim. Esperar que
me deem o que necessito é insultuoso e egoísta: seria como procurar
atalhos e não querer perder nenhum nuance de paisagem da estrada
inteira. Seria não querer caminhar, mas ser carregada no colo e não
parecer um peso. Não preciso estar onde não encontro algum conforto,
alguma paz. Não preciso manipular sentimentos para despertar no Outro
culpa ou responsabilidades que são minhas. Eu posso me fazer feliz e
compartilhar esta felicidade com um parceiro, mas não posso cobrar dele o
meu bem-estar: isto não é troca, é codependência.
Não preciso migalhar absolutamente nada desde que aprendi a me proporcionar verdadeiros banquetes.
Marla de Queiroz



